sexta-feira, 9 de março de 2012

A GAMELA ESTÁ FURADA

Escrevinhação n. 917, redigido em 25 de outubro de 2011, dia de São Félix e São Proclo.

Por Dartagnan da Silva Zanela

Ensina-nos o escritor Nícolás Gómez Dávila que “os reformadores da sociedade atual se empenham em decorar os camarotes de um barco que está naufragando”. Quando li esta frase da lavra deste aquilatado escritor colombiano, a primeira imagem que veio à minha mente foi a do espírito reformista forever que toma conta de nosso sistema educacional.

Bem, em se falando disso, reflitamos sobre a própria ideia, mal colocada, das infindáveis reformas que há décadas vem sendo implantadas e abusadas, desta sanha por destruir os alicerces de toda a sociedade justificada no intento de melhorá-la.

Quanto, por exemplo, reforma-se uma casa, procura-se apenas reparar os danos que se fazem presentes nela e/ou ampliar-se aqui ou acolá. Todavia, quando se procura trocar os alicerces dessa, o que se têm, antes de qualquer coisa, é um ato insensato. Isso mesmo! Se mexermos nesses a casa cai. Todos sabem disso, menos os ditos reformadores forever do sistema educacional.

Literalmente, os pontos fundamentais de nosso sistema educacional foram totalmente demolidos pelo espírito suíno disfarçado de bom-mocismo que hoje se faz hegemônico em nossa sociedade. A casa caiu sobre as cabeças dos professores, alunos, funcionários e famílias, todos estão vendo os escombros diante de seus olhos e sentindo-os sobre suas cabeças. E, diante disso, o que fazemos? Fechamos as janelas de nossa alma para essa ululante realidade que é o fato de que as melhores intenções nesta seara renderam pútridos frutos que, hoje, estamos colhendo.

Sim, não são poucos os que decoram a tragédia educacional de nosso país, apontando para progressos fictícios e para a necessidade de um maior aprofundamento das mudanças que nos condenaram ao estado em que nos encontramos. Todavia, se a casa já está no chão, o que, ora bolas, pretende-se agora demolir? Não é por menos que a Sacra Escritura nos ensina que o pior cego é aquele teimoso que vendo, recusa-se a enxergar.

Creio que, tal impostura, deva-se a uma necessidade voraz em não admitir que nossa geração errou e errou feio. Ninguém, praticamente, quer admitir que nossos antepassados é que sabiam educar, pois muitos teriam que reconhecer que construímos toda a sua carreira sobre um flácido lamaçal e, salve engano, reconhecer os próprios erros e corrigi-los, assumindo plenamente a responsabilidade pelos seus atos é algo que exige uma maturidade moral e intelectual de grande envergadura. Mas, como gente dessa envergadura é um tipo raro nestas paragens, creio que continuaremos de vento em popa nesta épica marcha para o brejo ritmada ao batuque politicamente correto da gamela furada.

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