sábado, 19 de janeiro de 2013

Dicas memoráveis de estudo


Ouso postar aqui algumas dicas memoráveis do Blog: http://ordem-natural.blogspot.co


Desde já, meus sinceros agradecimentos para o Alexandre Costa, que foi uma das inspirações de O Pombo Navegante.
Dicas memoráveis de estudo
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5 Dicas para os estudantes - Olavo de Carvalho

Não adianta estudar muito. Aristóteles dizia que a inteligência deve ser exercitada com moderação e constância. O truque é:

1) Estudar todo dia um pouco.

2) Não estudar nada sem um interesse total e absorvente.

3) Ler devagar, com lápis na mão, e não deixar passar uma palavra desconhecida, uma frase mal compreendida.

4) Ler somente os livros essenciais de cada área, sem perder tempo com obras de interesse periférico.

5) Domine pelo menos três idiomas (ler e escrever - conversação é para turista).

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Nesta e nas próximas postagens tentarei indicar um caminho para adquirir conhecimento, inteligência e sabedoria. Sei que não existe fórmula para esta busca eterna e cheia de obstáculos; sei também que só pequenas "doses" de sabedoria são abarcáveis pela mente humana, e com muita dedicação. Os passos que pretendo indicar, no entanto, devem ajudar ao menos para diminuir a influência que a burrice da cultura contemporânea exerce na nossa vida. Se até eu deixei de ser tão burro, deve funcionar com pessoas mais inteligentes.

Parte 1
Como ler a Bíblia?
A leitura da Bíblia pode abrir um horizonte inimaginável de conhecimento. A sabedoria contida nestes livros age de forma incompreensível na nossa mente, na nossa alma. Não é por outro motivo que vários gênios da humanidade dedicaram tanto tempo ao estudo das Escrituras Sagradas, entre eles Leibniz, Newton, Tesla e muitos outros.

Seria muita prepotência querer "ensinar" a ler a Palavra de Deus, mas ao menos pra mim, um método tem apresentado resultados incríveis:

1 - Leia o Novo Testamento
A vida de Jesus Cristo é, sem dúvida, o acontecimento mais importante de toda história da humandade. Suas palavras devem ensinar, confortar e nortear a nossa busca pelo conhecimento. Leia primeiro os 4 Evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João), depois leia o restante do Novo Testamento (Atos dos Apóstolos, Epístolas e Apocalipse) sem pressa e com toda sua atenção, todo seu comprometimento, como quem ouve a própria Sabedoria. Após a leitura completa e na ordem, diariamente escolha (mesmo que aleatoriamente) um tema ou uma passagem, encontre neste trecho o que lhe parece mais importante e fique com ele na mente até que a Providência resolva suas dúvidas e aprofunde sua compreensão.

2 - Leia o Velho Testamento
A Lei, a história, a tradição e o legado da civilização judaica devem ser lidos sob a ótica do Messias, portanto, do Novo Testamento. Comece lendo o Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio), depois os Livros Históricos, Sapienciais e Proféticos. A riqueza das histórias do Antigo Testamento, que contém todas as possibilidades humanas, certamente vai enriquecer sua capacidade imaginativa e, portanto, sua inteligência.

Download da Bíblia Sagrada, tradução da vulgata latina, pelo Padre Antônio Pereira de Figueiredo. Uma das melhores versões em Língua Portuguesa.



Download do Novo Testamento,  tradução Rei James versão de estudos, a primeira publicação desta edição inglesa causou um profundo impacto não apenas nas traduções inglesas posteriores, mas na literatura inglesa como um todo.

http://leianatela.blogspot.com.br/2011/03/novo-testamento-rei-james-edicao-de.html

Parte 2


Dando sequência às dicas para desenvolver a inteligência e ampliar o conhecimento, estou relacionando mais alguns conteúdos que podem ajudar no início da jornada em busca da Verdade. Como eu já disse na postagem anterior, não se trata de "ensinar" nada, apenas de compartilhar e ordenar informações de qualidade. Como acredito que o conhecimento é como um edifício que precisa de estruturas para se sustentar, colquei uma certa ordem para facilitar a "construção". Por isso, é importante seguir a ordem das postagens e é necessária muita dedicação. Espero ajudar. Comigo, ao menos, tem funcionado.

1 - Leia Confissões, de Santo Agostinho
A confissão perante um juiz onisciente é a mais eficiente técnica de autoconhecimento que eu conheço e deve ser por isso que ela está presente na vida de muitos sábios desde os primórdios do Cristianismo. Mais do que contar sua história ao analista, quando você mergulha nos seus atos, palavras e pensamentos diante de alguém que sabe exatamente o que você fez, sua vida deixa de ser um emaranhado de fatos desconexos e começa a mostrar uma unidade na forma e no conteúdo das experiências e nas imaginações. Esta unidade que vai se formando com lembrnças e descobertas é extremamente necessária para que a aquisição de novos conhecimentos se incorpore à sua personalidade. Além de funcionar como uma eficiente psicanálise ao rastrear sua real existência, a confissão traz a vantagem de aprender sobre si mesmo, já que o único juiz onisciente é Deus, e Ele sabe mais de você do que você mesmo.

O livro Confissões de Santo Agostinho é uma das poucas obras filosóficas completas. Ele encerra em suas páginas toda uma forma de pensar e agir, toda prática filosófica de um dos mais inteligentes autores da história. Após uma leitura comprometida e atenta, Confissões pode mudar sua vida! Link para baixar o livro

2 - Leia Inteligência e Verdade, de Olavo de Carvalho
Inteligência, no sentido em que aqui emprego a palavra, no sentido que tem etimologicamente e no sentido em que se usava no tempo em que as palavras tinham sentido, não quer dizer a habilidade de resolver problemas, a habilidade matemática, a imaginação visual, a aptidão musical ou qualquer outro tipo de habilidade em especial. Quer dizer, da maneira mais geral e abrangente, a capacidade de apreender a verdade. A inteligência não consiste nem mesmo em pensar. Quando pensamos, mas o nosso pensamento não capta propriamente o que é verdade naquilo que pensa, então o que está em ação nesse pensar não é propriamente a inteligência, no rigor do termo, mas apenas o desejo frustrado de inteligir ou mesmo o puro automatismo de um pensar ininteligente. O pensar e o inteligir são atividades completamente distintas. A prova disto é que muitas vezes você pensa, pensa, e não intelige nada, e outras vezes intelige sem ter pensado, numa súbita fulguração intuitiva. Link para o artigo completo

3 - Leia O Ofício do Sábio, de São Tomás de Aquino
O uso comum que, no entender do Filósofo (Aristóteles), deve ser seguido quando se trata de dar nome às coisas (Tópicos, II, 1, 5), manda que se chamem sábios aqueles que organizam diretamente as coisas e presidem ao seu reto governo. Entre outras idéias, o Filósofo afirma que "o ofício do sábio é colocar ordem nas coisas" (I Metafísica, II, 3). Ora, todos quantos têm o ofício de ordenar as coisas em função de uma meta devem haurir desta meta a regra do seu governo e da ordem que criam, uma vez que todo ser só ocupa o seu devido lugar quando é devidamente ordenado ao seu fim, já que o fim constitui o bem de todas as coisas. Link para o artigo completo

4 - Leia O Abandono dos Ideais, de Olavo de Carvalho
Quando as palavras saem da moda, as coisas que elas designam ficam boiando no abismo dos mistérios sem nome; e como tudo o que é misterioso e inexprimível oprime e atemoriza o coração humano com uma sensação de cerceamento e impotência, é natural que a atenção acabe por se desviar desses tópicos nebulosos e constrangedores. Pois o que desaparece do vocabulário logo acaba por desaparecer da consciência: o que não tem nome não é pensável, o que não é pensável não existe — tal é a metafísica dos avestruzes. Só que a coisa desprovida do direito à existência continua a existir numa espécie de extramundo, inominada e inominável, tanto mais ativa quanto mais secreta, tanto mais temível quanto mais envolta nas pompas tenebrosas do nada. A restrição do vocabulário povoa o mundo de temores e presságios. Link para o artigo completo

5 - Leia o diálogo Fédon (Da Alma) - De Platão
Porém devemos, senhores, considerar também o seguinte: se a alma for imortal, exigirá cuidados de nossa parte não apenas nesta porção do tempo que denominamos vida, senão ao longo de todo o tempo, parecendo que se expõe a um grande perigo quem não atender esse aspecto da questão. Pois se a morte fosse o fim de tudo, que imensa vantagem não seria para os desonestos, com a morte livrarem-se do corpo e da ruindade muito própria juntamente com a alma? Agora, porém, que se nos revelou imortal, não resta à alma outra possibilidade, se não for tornar-se, quanto possível, melhor e mais sensata. Link para baixar o livro 

Parte 3


Nas duas primeiras partes eu indiquei alguns conteúdos que julgo importantes para formar uma base que permita absorver de forma organizada os conhecimentos futuros. Nesta postagem indico dois livros e um artigo que vão funcionar como ferramentas na busca pelo conhecimento e no desenvolvimento da inteligência.

1 - Leia A Arte de Ler (How to read a book) - Mortimer Jerome Adler
Nesta obra magnífica, Mortimer Adler ensina a diferenciar os vários tipos de leitura, a aproveitar melhor o conteúdo estudado, a buscar o essencial dentro de cada obra e a disciplinar a busca pelo conhecimento. Muito mais que um livro sobre como ler livros, uma aula magna sobre a intelectualidade.Link para baixar o livro A Arte de Ler em pdf

2 - Leia A Vida Intelectual - A. D. Sertillanges
Este livro é  na verdade um curso rápido para aprimorar o estudo e organizar o conhecimento. Uma obra bastante didática, que orienta de maneira simples e direta. Este livro é um legado, deixado por um homem que dedicou sua vida à busca pela sabedoria e à prática intelectual, um dos maiores clássicos dedicados ao estudante sério. Link para baixar o livro A Vida Intelectual em pdf

3 - Leia Aristóteles: Os Quatro Discursos - Olavo de Carvalho
Olavo de Carvalho já deu muitas contribuições para a filosofia: Paralaxe Cognitiva, Tripla Intuição, Contemplação Amorosa entre outras. O livro Aristóteles em nova perspectiva, de onde saiu este primeiro capítulo, é um trabalho que ficará para a posteridade. O filósofo brasileiro encontrou uma estrutura interna na obra de Aristóteles, que não apenas torna mais inteligível a obra do maior filósofo da história, como também oferece uma "ferramenta" muito eficiente para verificar o grau de veracidade dos conhecimentos que adquirimos. Link para o capítulo Aristóteles: Os Quatro Discursos
Parte 4


Nesta postagem vamos concentrar os esforços na formação do sujeito cognoscente responsável e atento, e na compreensão de que o universo é inteligível e por meio da observação, ou, mais especificamente, da contemplação, podemos alcançar muitos conhecimentos.

Felicidade é capacidade de contemplação

Quanto mais se desenvolve a nossa faculdade de contemplar, mais se desenvolvem as nossas possibilidades de felicidade, e não por acidente, mas justamente em virtude da natureza da contemplação. Esta é preciosa por ela mesma, de modo que a felicidade, poderíamos dizer, é uma espécie de contemplação.

Aristóteles, - Ética a Nicômaco
 


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Leia Sobre a vida contemplativa - Tomás de Aquino 


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É verdade que a existência humana sobre a Terra é luta, divisão, precariedade, carência, incompletude. Mas fazer da mutilação um princípio metafísico absoluto, ou mesmo uma característica estrutural e imutável da essência humana sempre me pareceu um abuso, uma projeção universalizante de experiências contingentes, ou, pelo menos, é fazer do estado humano médio a régua máxima da perfeição concebível. É a covardia, é a depressão que leva um homem a culpar o universal, fundando sua derrota num princípio metafísico que é apenas a ampliação paranóica da sua própria divisão interior. Quem cede a essa tentação torna-se em breve incapaz de conceber a idéia mesma de universalidade, que casa inseparavelmente a unidade e a infinitude. O universal está, por definição, acima de todas as culpas, porque está acima de todas as divisões.


De outro lado, o esforço de justificar o universal tomou com freqüência o sentido de um racionalismo, buscando demonstrar a racionalidade do real tomado como um todo. Ora, racionalidade, se bem compreendida, não é outra coisa senão proporcionalidade e harmonia (ratio = proportio); e um todo não pode ser dito harmônico e proporcional senão de uma destas duas maneiras: ou em relação a um outro todo, ou na conformação de suas partes constituintes. O universal caía fora da possibilidade de ser captado por uma ou outra dessas categorias, na medida em que, por um lado, era único e sem segundo, e, de outro lado, sua unidade transcendia a de uma mera relação entre partes. Deste modo, atribuir ao universal quer a racionalidade, quer a irracionalidade, me parecia um abuso tão grande quanto o de negar o universal mediante um dualismo irrecorrível.


Desde muito cedo, portanto, se desenvolveu em mim a convicção de que a unidade do universal é metafisicamente necessária e de que, por outro lado, ela não cabe nos nossos conceitos correntes de razão e irrazão.

Da Contemplação Amorosa - Olavo de Carvalho

Parte 5

Como o objetivo é expandir a imaginação, vamos ao trabalho. As imagens, os sons e, principalmente, as palavras impressas na memória funcionam como matéria prima para a imaginação. Diante de uma situação real, nosso raciocínio busca na imaginação uma dica de como enfrentar aquela situação. Com uma imaginação rica, que disponha de matéria prima de qualidade em quantidade elevada, o raciocínio será muito mais amplo e flexível, já que dispõe de muitas alternativas, que foram coletadas entre as possibilidades registradas na memória.

Dou importância maior à palavra devido a dois fatores fundamentais: as palavras são signos que, de maneira inexplicável, fertilizam nossa imaginação adquirindo muitas camadas de significado, e quando corretamente armazenados na memória, frutificam e irradiam para outras áreas do conhecimento. Em segundo lugar, ao contrário das imagens, as palavras, os sons e os símbolos liberam a mente para uma absorção mais subjetiva, o que leva a um armazenamento mais orgânico e mais estruturado, o que facilita e agiliza o raciocínio. Por essa razão recomendo a leitura dos clássicos e considero as obras sacras uma leitura obrigatória. Estas, em especial, agem miraculosamente sobre a inteligência, e aquelas, quando bem escolhidas, podem proporcionar quase o mesmo efeito no intelecto.

As imagens, no entnato, também exercem muita influência na estética de nossa observação da realidade. Por isso, filmes, pinturas, esculturas e arquitetura são tão importantes e merecem seleção rigorosa. 

A música, como não poderia deixar de ser, influencia a imaginação quando sua melodia e sua harmonia simbolizam um objeto existente no Universo físico ou metafísico; seus ritmos e timbres, por sua vez, simbolizam ciclos naturais ou fisiológicos e portanto suas frequências e vibrações influenciam  funções físicas e até mesmo o comportamento das céulas. Música é comprovadamente uma terapia mental e corporal, enriquece a imaginação e regula os ciclos corpóreos. Parece claro que a escolha do que você ouve é fundamental, não?

Partindo da teoria para a aplicação prática, sugiro a leitura dos clássicos da literatura universal antes das especialidades e  antes até da leitura dos livros de  História e Ciências. Como o objetivo é a expansão do imaginário por meio das possibilidades humanas guardadas na literatura, nas artes e na música, o ideal é garimpar o que se produziu de melhor ao longo da História da humanidade. Este trabalho de escolha é bastante facilitado pela Tradição.

Os temas, estilos e autores sempre devem acompanhar suas intenções e características pessoais, no entanto, o tempo mostrou que algumas obras merecem atenção, independente dos seus objetivos e preferências. Para a literatura, sugiro iniciar pelo livro História da Literatura Ocidental, do Otto Maria Carpeaux [clique aqui para baixar] , que vai funcionar como um catálogo dos melhores autores e melhores livros, um mapa bem detalhado para planejar e direcionar suas leituras. As palavras, como está dito acima, funcionam melhor para os objetivos tratados aqui, por isso dê preferência aos livros e deixe os documentários e filmes para assuntos mais recentes ou que necessitem do audiovisual para melhor interpretação. Na música não tem segredo: ouça os clássicos.

Em todas as situações da vida, o importante é entender o que está se passando e qual o significado último daquele instante. A boa arte pode contribuir bastante com isso.

Leia também:

Imaginação e inteligência

Escolha melhor sua trilha sonora

Livros Indicados pelo Blog 

A Leitura

Parte 6
Ao iniciar um estudo, muitos entram de cabeça nos primeiros livros que encontram sobre o assunto estudado e pulam de um para outro freneticamente. Acredito que este modo de estudar pode não só desperdiçar o tempo e os neurônios do estudante, mas também estruturar de forma equivocada os novos conhecimentos adquiridos, o que vai gerar um problema de longo prazo.

A melhor forma de entrar em um assunto é conhecendo o que de mais importante já se produziu sobre ele, o chamado Status Quaestionis. Uma ampla bibliografia sobre o assunto deve ser feita meticulosamente. Não tenha pressa de mergulhar em um tratado de 1500 páginas. Antes, descubra o que deve saber e onde se encontra determinado conhecimento, depois elabore uma lista do que deve ser buscado, o que deve ser lido conforme seu objetivo e, principalmente, de acordo com a sua ignorância do assunto. Quem faz uma metódica bibliografia foca os estudos no essencial, economiza tempo e ao final desta etapa certamente estará sabendo mais do que aquele que leu um ou alguns livros de forma automática. 

As pessoas que viveram antes da presença ostensiva da Internet em nossas vidas devem valorizar a facilidade que a rede de computadores trouxe para os estudantes. Antes da Internet o estudo autodidata era infinitamente mais difícil. Mesmo com o rumo ditatorial que está tomando, suas ferramentas são de grande ajuda para quem pretende estudar qualquer coisa – ao menos por enquanto. Não é preciso ser um Steve Jobs para aproveitar algumas ferramentas disponíveis gratuitamente na Internet. Utilizando o próprio Google é possível localizar livros, e-books, documentários, palestras e aulas, e a busca avançada pode ajudar com referências, ISBN, textos relacionados e muitas outras coisas para montar uma rica bibliografia e começar o estudo com o pé direito. Mãos à obra, a bibliografia é o próprio plano de estudo.

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