quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

As Medidas (Excerto de Aristóteles e as Mutações) Da perfeição e das Ideias A Finalidade (Excerto de Erros na Filosofia da Natureza)



Da Finalidade

É muito comum, nos dias que passam, ouvir-se de muitas bocas e de muitas penas, expressões como estas: «a filosofia do passado já está superada», "a ciência de hoje desterrou, de vez, a filosofia", "os filósofos medievais são hoje fantasmas, e nada mais", "não é possível que volvamos mais para o passado". Estas, e outras frases semelhantes, enunciadas por pessoas diplomadas e professores universitários, revelam a que ponto de decadência chegou a nossa cultura.

E não se diga que tais frases são ouvidas apenas entre nós, como gostariam de pensar alguns desses brasileiros de alma naturalizada estrangeira, que não acreditam nas nossas possibilidades. Não; também "conspícuos e notáveis" mestres de universidades famosas do mundo inteiro repetem essas mesmas frases e, pior, escrevem-nas em seus livros, conseguindo, desse modo, influir em mentes inadvertidas, sobretudo as dos jovens, perturbando, desse modo, o desenvolvimento que deveria ter a cultura de hoje.

O verdadeiro conhecimento não é formado apenas pelo acúmulo de informações; pelo menos não o é a verdadeira cultura. Aqueles que julgam que um homem culto é um homem erudito enganam-se, porque qualquer débil mental pode alcançar a erudição; não poderá, porém, alcançar um grau elevado de cultura.

Há cultura quando há conhecimento de nexos e se é capaz de realizar as ilações mais amplas, quando se tem uma visão coordenada do conhecimento específico com o genérico, quando não se é apenas um monstro de conhecimento parcial, mas se desenvolve uma ampla visão geral.

E isso tinham os gregos e os medievais!

Mário Ferreira dos Santos.

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