quarta-feira, 26 de junho de 2013

Brasil: manifestações, expectativas e interrogações.

ESCRITO POR CUBDEST | 25 JUNHO 2013 
ARTIGOS - GOVERNO DO PT

Pouco ou quase nada falou-se sobre a influência do Fórum Social Mundial de Porto Alegre (FSM) sobre dirigentes-chave nas manifestações.
Uma oposição séria ao Partido dos Trabalhadores (PT), baseada em princípios cristãos, não pode se limitar à denúncia de “corrupção”.

1. No Brasil, as manifestações de rua conseguiram criar expectativas e obter a adesão de setores centristas da sociedade, que estão cansados da “hegemonia” de uma década do governante Partido dos Trabalhadores (PT), uma “hegemonia” que até o momento parecia à prova de crises e de terremotos.
2. É explicável que esse sentimento anti-PT tenha levado os referidos setores centristas a aderir às manifestações. O que não se explica tanto, e causa perplexidade, é que os meios de comunicação também centristas, como é o caso do semanário “Veja”, estejam fazendo chamados para não temer nada, a “ouvir as ruas”, a absorver-se da “energia pura” que impregnaria as manifestações e, no fundo, a desativar a intuitiva desconfiança dos brasileiros, uma desconfiança que resulta necessária especialmente em momentos de instabilidade social. Em seu recente editorial, “Sem medo do novo”, apresentando um número “histórico” intitulado “Os sete dias que mudaram o Brasil”, a revista de maior circulação desse país afirma sem prevenções que na atual conjuntura o “erro fatal” seria “temer o novo” que está chegando.
3. O referido editorial trata de tranqüilizar seus leitores, para que estes concedam mais facilmente essa adesão “sem medo” às manifestações, narrando episódios nos quais militantes dos pró-governamentais e esquerdistas Partido dos Trabalhadores (PT) e Central Única dos Trabalhadores (CUT) foram expulsos“vigorosamente” das manifestações. Esses fatos são apresentados aos leitores como uma garantia suficiente de confiabilidade dos protestos. Entretanto, o editorial parece ignorar que quem expulsou violentamente o PT foram grupos que questionam não somente esse partido de esquerda, como a todos os partidos e o próprio sistema democrático.
4. O editorial acrescenta que “os brasileiros que estão saindo às ruas não admitem mais ser usados como massa de manobra por partidos e políticos profissionais”. Porém, parece ignorar que, sem a necessária vigilância, os cidadãos bem intencionados que participem das manifestações, poderão se converter em massa de manobra ou bucha de canhão de setores radicais e extremistas. O editorial se encarrega também de minimizar o componente anárquico presente em certos articuladores das manifestações, limitando-se a constatar de passagem que “alguns” participantes “exibiram cartazes com frases anárquicas”. Se fosse somente a exibição de cartazes, sem despertar manifestações de inconformidade do público participante, já seria um motivo de preocupação. Porém, a presença visível e invisível das redes anarquistas foi muito além da exibição de cartazes. A impressão que se tem é que o editorial da “Veja” trata de proteger a todo custo os efeitos do spray de otimismo que lançou sobre seus leitores.
5. O senso comum e os próprios fatos indicam que a “energia pura” que a “Veja” acredita perceber nas manifestações, talvez não seja tão “pura” e incontaminada. E causa perplexidade a contribuição dessa publicação para desativar a desconfiança de brasileiros e latino-americanos, para que fiquem desprevenidos e“sem medo do novo” que as manifestações estariam proporcionando.
6. Pouco ou quase nada falou-se sobre a influência do Fórum Social Mundial de Porto Alegre (FSM) sobre dirigentes-chave nas manifestações. No FSM, durante sucessivas reuniões anuais, milhares de ativistas do Brasil, da América Latina e do mundo inteiro estudaram e explicitaram novos métodos para levar adiante formas de neo-revolução anárquica, inclusive e especialmente através do uso das redes sociais. Na ocasião, Destaque Internacional publicou mais de 50 artigos sobre esses novos métodos de desestabilização social, cujos links põe-se hoje à disposição dos leitores, gratuitamente. Basta clicar emhttp://www.cubdest.org/1306/c1306seriefsm.html
7. Os próprios dirigentes do Movimento Passe Livre (MPL), que lançaram através das redes sociais as primeiras convocatórias para as atuais mobilizações, reconhecem que esse movimento nasceu no Fórum Social Mundial (FSM).
8. Uma oposição séria ao Partido dos Trabalhadores (PT), baseada em princípios cristãos, não pode se limitar à denúncia de “corrupção”, que é uma das bandeiras que tomou as ruas, porque sabe-se que a “corrupção” não é uma exclusividade do PT e está presente, lamentavelmente, embora em graus diferentes, em todo o corpo social. Uma oposição séria ao Partido dos Trabalhadores (PT) não pode deixar de lado a defesa dos princípios morais, familiares e sociais cristãos, e o assinalamento de que o PT fez exercício do Poder Executivo e Legislativo para impulsionar uma revolução das mentalidades, contribuindo para uma conseqüente desfiguração da sociedade, com efeitos de destruição mental talvez maiores, em alguns aspectos, que os alcançados pela revolução das estruturas na Rússia, Cuba e nos demais países comunistas.
9. Sobre essa revolução das mentalidades, tão importante, tão relevante e tão preocupante, pouco ou nada se fala. Nas manifestações, nem sequer se insinua o tema. No Fórum Social Mundial de Porto Alegre (FSM) estudou-se o tema em profundidade, e reconheceu-se que na atual conjuntura é um caminho mais importante para alcançar a comum meta anárquica que é a própria revolução das estruturas.
10. As presentes reflexões e interrogações são estabelecidas por não-brasileiros, geograficamente distantes, mas espiritualmente muito próximos dessa grande nação, a Terra de Santa Cruz, cujo presente e futuro pode decidir os rumos de toda a América Latina.



Destaque Internacional - Ano XV - nº 380 - 23 de junho de 2013. Este Editorial é interativo. Aguardamos suas valiosas opiniões e sugestões. Responsável: Javier González. São bem-vindas sugestões, opiniões e críticas. E-mail de contato: destaque2016@gmail.com.


Tradução: Graça Salgueiro

Fonte: Mídia Sem Máscara


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