quarta-feira, 14 de agosto de 2013

A ÉTICA PARTIDÁRIA


Talvez seja uma visão estreita, talvez não, porém, tendo a analisar os discursos comparando-os a realidade e como a realidade pode produzir diferentes discursos. O mais prudente penso eu, seria ver o quanto o primeiro se aproxima do segundo, para que assim possamos legitimá-lo, não através de um ponto de vista, como muitos o querem, mas pela realidade si.
O estudo da realidade e capacidade humana de entendê-la bem como modificá-la ou adaptar-se a ela quando necessário, resguardando as singularidades de cada caso, sempre foi por si um dos elementos basilares da educação. Quando falo em educação, não cito a educação brasileira que é algo tão singular e medonho diante do resto do mundo que não pode ser vista a não ser como exceção demoníaca.
Recentemente vimos denúncias contra o governo do Estado de São Paulo onde a PF abrirá inquérito a fim de investigar fraudes em licitações entre este e a empresa Siemens, já batizada de antemão de “propinoduto tucano”. Os nomes de Mário Covas, Geraldo Alckimin e José Serra aparecem como suspeitos. A bem pouco tempo, o PSDB empenhava a bandeira da ética contra os desmandos visto em dez anos do governo do PT que vão do Caso Pinheiro Landim ao mensalão. O que é certo é que as duas facções esquerdistas PSDB (Social democrata de centro esquerda) e PT (marxista-gramscista de extrema esquerda) têm o mesmo padrão ético e político, dando ao eleito brasileiro o privilégio de escolher entre o esquerdismo de vermelho berrante do primeiro, ao esquerdismo pretensiosamente chique de rosa choque do último.
Ao contrário do que afirmam atualmente os petistas pensando que o “propinoduto” seja o crime mais evidente do PSDB, poderiam, mas não sem prejuízo, acusá-lo de crime de lesa pátria quando em todas as campanhas presidenciais se recusou a investigar a ligação do PT com as FARC que por si só já bastaria para invalidar a qualquer tentativa de eleição daquele partido. A conivência do senhor José Serra e de vários membros do PSDB não é gratuita, uma vez que o seu passado mais a esquerda certamente tem segredos muito piores do que os do “propinoduto”. Quando ainda em 2010 seu candidato a vice, Índio da Costa começa a chamar a responsabilidade para si e cobra urgentemente uma investigação sobre o tema, ordens do alto escalão do PSDB em pânico recomendam que as falas do candidato sejam mais “prudentes”. A candidata do PV, Marina Silva, não se sabe por qual motivo, sai em defesa do PT, contrariando a lógica que seja ela ser uma das interessadas na investigação. Não é tão fora da lógica assim, uma vez que a moçoila verde gafanhoto era a bem pouco tempo componente relevante das hordas petistas.
Nas redes sociais, a nova ágora, onde não perfilam comumente comentários filosóficos, mas o beletrismo em sua forma mais pura comemora o crime tucano com fogos, ao contrário do que seria visto em uma mente saudável, uma vez que, independente do autor do crime, o prejuízo é causado a vítima. Estranho, mas é Brasil. O que fica claro é que não há no meio popular, e a popular me refiro às classes profissionais pretensiosamente pensantes do país, uma visão saudável da necessidade de desenvolvimento moral, ou, como preferem, ético, sem que antes a mesma seja vista tão só por uma perspectiva ideológica. Cabe saber medir o que se falar de determinado pecado, averiguando antes que partido se fala, de quanto eu ganho, de quais utopias me representam, etc. É claro, que uma moral ou ética vista sob tal perspectiva só poderá desenvolver na mentalidade de um povo profundamente doente onde o conceito em si de justiça não é válido em última instância e as noções de educação, liberdade, moral e compromisso nunca passaram de hipóteses, de símbolos fonéticos proferidos sem uma realidade que os representasse.
Talvez aí esteja representado o mal alto niilismo, algo que nem o ideário niilista seria capaz de idealizá-lo, tão medonha é tal perspectiva.


Antonio Sávio