domingo, 10 de novembro de 2013

Reflexões sobre a educação.

 
Os debates acerca da educação brasileira ou mesmo sobre sua falência propriamente dita são por incrível que pareça um tema até recorrente. Dizer que hoje em dia ninguém se preocupa com a educação do país é de fato uma inverdade bem como também o é dizer que todos os que se preocupam com ela estejam minimamente educados e preparados para modificá-la de modo positivo.
O problema educacional como qualquer outro demanda que para solucioná-lo, mesmo que em parte o sujeito que esteja a frente do mesmo possa conhecê-lo. No Brasil, porém, por uma série de questões históricas nossos educadores diferente de quase todos os outros povos não tem uma noção da educação em sua plenitude tomando a situação imediata que está ao seu redor como o centro da perspectiva do mundo. Por falta de conhecimento, tendemos a achar que nada há além do nosso próprio horizonte. A falha em questão foi denominada pelo filósofo romeno Constantin Noica como “catolite”. Sobre ela ele nos diz:
“Chamamos de catolite – do grego kathoulou, que significa “em geral”, mas que igualmente se pode empregar como substantivo – ao conjunto de anomalias provocadas, nas coisas e nos homens, pela carência do geral”. (As seis doenças do espírito contemporâneo. P 55. Ed. Record, 1999).

  Essa carência do geral exemplificada acima ocorre pela função e atuação política de determinadas ideologias que foram tomando o país gradativamente. A partir do regime militar de 64 a perseguição contra a chamada “elite pensante” do país foi um fato durante anos. Embora a ditadura seja um calo em qualquer sociedade é necessário dizer que qualquer que seja ela deve ser prontamente rebatida. Porém, enquanto a ação ditatorial atuava no meio político outra começava se instaurar no meio cultural de modo paulatino e silencioso. A chamada revolução cultural é uma ideia defendida pelo filósofo italiano Antonio Gramsci onde a revolução ao invés de ser uma via por meio de uma atuação violenta deveria transformar o revolucionário em um mecanismo de ação cultural ocupando assim todos os meios de expressão da sociedade. As escolas, universidades, editoras e imprensa foram sendo tomados no país inteiro de modo que nenhuma notícia ou obra que não fosse devidamente favorável a ideia de revolução pudesse ser publicada.
É necessário refletir bem, pois esta ocupação se desenvolveu de modo tão sutil e ao mesmo tempo violento no país que a maior parte das pessoas que foram vítimas deste processo não tem hoje as mínimas condições de pensar fora de um padrão que não sejam nos moldes e cabrestos propagados por ele. O poder de reação do doente é nenhum, e assim o processo eterniza-se. Uma espécie de síndrome de Estocolmo intelectual.
Em decorrência deste fenômeno discorre outra “doença” detectada por Noica como “tedotite” ou a carência pelo individual. A educação humana ocorre quando há um trânsito equilibrado entre a personalidade e a percepção do particular e o seu enquadramento em questões gerais e superiores. A consciência humana desenvolve-se nesse trânsito capturando as particularidades e as essências que é comum as diversas realidades. Nada mais nada menos do que a chamada “Sophia Perennis” é o resultado da verdadeira educação.
A carência pelo particular se dá em nosso contexto em outro processo quando busca anular as singularidades de cada indivíduo ou educando que está submetido a um processo de ideologização no lugar do que deveria ser um processo genuinamente educacional. Isso é facilmente observável na atuação de associação estudantil, em centro acadêmico universitários, coletivo (pseudo) artísticos, etc. Ao adentrar em tais ambientes o sujeito carrega consigo fortes elementos de sua educação primária onde os valores basilares que constituem o ser humano devem estar ali prontos a serem não só acionados quando preciso, mas, sobretudo que estejam atuando indeterminadamente no caráter do indivíduo. São tais valores mais a relação do sujeito com o meio que ele vive que marcaram a singularidade de sua personalidade. O primeiro passo que os coordenadores de tais “instituições” primam é uma tempestade de ações e obrigação sobre o iniciado dando-lhe uma áurea de importância política salvadora da humanidade. É óbvio que para isso há uma série de sacrifícios a serem feitos em favor de uma “causa maior”. Então pelo partido, pelo grupo, pelo bem da humanidade os valores como honestidade, ética, religião, família, são gradativamente substituídos quando porventura venham eles a se chocarem com os objetivos da “causa”.
O enquadramento em uma perspectiva pseudo-geral requer a total recusa da ação de uma personalidade própria e assim saudável em tais meios. A este respeito o maior dos filósofos brasileiros Mário Ferreira dos Santos nos diz: “O homem é um fim e não um meio. Utilizá-lo, transformá-lo em peça de um mecanismo, é ofender a sua dignidade”. Em sua obra “Os Demônios” o escritor Dostoiévski denuncia este fenômeno com maestria.
Achar no cenário brasileiro um só educador que busque refletir a partir de tais perspectivas não é só difícil como impossível. Impossível, pois a dominação cultural dentro das universidades retirou todas as obras que poderia dar acesso a tais reflexões. A ditadura do proletariado chegou ao poder por outros meios e atua em larga escala que nem mesmo a melhor das consciências pode admitir isso de prontidão. Escolas, ONGs, universidades, rádios, televisão, etc. Após isso cabe perguntar se há a possibilidade de restabelecer a educação a parâmetros minimamente respeitáveis sem que seja removida essa montanha totalitária de falsas informações e conteúdos indevidos repletos de relativismo, de doutrinação ideológica, de anti-cristianismo, de pró-minorias, pró-hedonismos?
Enquanto o debate acerca a educação brasileira não tomar como central a ideia do que seja a verdadeira educação, e para que isso se dê é inevitável uma volta aos parâmetros das filosofias grega e cristã, nada será construído de positivo. Não há educação quando há abandono de conteúdos fundamentais que constituíram toda a estrutura moral e filosófica do Ocidente. Não há educação possível sem Sócrates, Platão, Aristóteles, São Tomás de Aquino, Santo Agostinho, Hugo de São Vítor, Pedro Abelardo, entre tantos outros. Se insistirmos na teimosia que é possível que haja educação sem uma sólida base filosófica e um mínimo de conhecimento histórico-político será o que somos hoje: Eternos ciclopes.
A cegueira das universidades e dos cursos de pedagogia hoje chega a tal ponto que conceitos básicos sobre o que seria a composição do trívium e do quadrívium, a diferença entre filosofia e ideologia, o que seria a chamada “grande conversação”, a que se destina o ensino da literatura, são totalmente desconhecidos por nossos atuais pedagogos. Ora, se os “profissionais da educação” estão com tal cosmovisão o que podemos esperar das futuras gerações?
            Enquanto isso as secretarias de educação de quase todos os municípios brasileiros se transformaram em um ponto de encontro de mafiosos onde licitações milionárias são feitas com empresas laranjas promovendo a ignorância através de materiais didáticos de péssima qualidades, cursos de capacitação e formação continuada igualmente suspeitos fazendo com que a redoma da alienação seja cada vez mais blindada. Não bastam os quatro anos de alienação dos cursos superiores, agora são reforçadas pelas tais “capacitações” oferecidas por empresas fraudulentas em sua maioria. Seguindo a mesma esteira estão os vestibulares e concursos agora totalmente dominados pela ideologia esquerdista ampliando o processo de manipulação ideológica.
Se o sistema como um todo está a ruir, a verdadeira educação só é possível vinda de fora. Pessoas independentes têm procurado não reverter o quadro, que é literalmente impossível sem os recursos e meios necessários, mas pelo menos salvar a si e os seus no meio do caos instaurado. Aí se destacam nomes como José Monir Nasser, Olavo de Carvalho entre os poucos que tem atuado com a chamada educação liberal. Sites como http://classicalstudiorum.blogspot.com.br/ , http://www.lepanto.com.br/dados/index.html , http://geografiaemdebate.webs.com/ , http://homemculto.com/ , http://www.imil.org.br/ , http://www.mises.org.br/Default.aspx , http://coyoteonline.wordpress.com/ , http://pesadelochines.blogspot.com.br/ , http://www.rplib.com.br/index.php , http://reliquiasdacasaverde.blogspot.com.br/ entre tantos outros tem buscado fornecer a quem quer se informar e se educar uma perspectiva diferente.

Agora pensar fora dos moldes da “teologia da libertação”, da “pedagogia do oprimido” ou não apoiar o regime de cotas, as minorias sejam elas quais forem o torna subversivo. Agora graças à “luta heróica” dos revolucionários como Chico Buarque, Cacá Diegues, Paulo Freire, Milton Santos, Geraldo Vandré entre outros temos o privilégio de ter substituído o antidemocrático carimbo de “vetado” dos antigos sensores para o atual “politicamente incorreto” dos nossos pseudo-educadores. 

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